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De uma vista olhos a estas magnificas :
Há muito que as gravuras rupestres do Mazouco eram conhecidas pela população local aquando da sua apresentação à comunidade arqueológica. Foi em 1981 que um estudante da faculdade de letras do Porto as deu a conhecer aos seus professores. Os habitantes da pequena aldeia de Mazouco chamavam à representação mais preservada "o carneiro". No entanto, este núcleo foi sendo geralmente designado como O Cavalo de Mazouco. Trata-se da primeira estação portuguesa de arte rupestre paleolítica ao ar livre. Em 1981, foram identificadas e publicadas as gravuras de Mazouco (Freixo-de-Espada-à-Cinta), que se tornaram no primeiro sítio de arte rupestre (ao ar livre) paleolítica conhecido em toda a Europa. Estão representadas muito poucas figuras, entre as quais sobressai a representação completa de um cavalo. O núcleo do Mazouco está inserido numa pequena cavidade rochosa composta por dois painéis relativamente bem conservados, formando uma espécie de abrigo de pequenas dimensões. O facto de as gravuras se encontrarem um pouco protegidas, permitiu que estivessem menos vulneráveis aos efeitos de desgaste natural. São constituídas por quatro gravuras executadas sobre uma parede xistosa, sendo que apenas uma das figuras se apresenta completa. Bem definida nas proporções e dando a sensação de movimento, tem o corpo e a cabeça de perfil. Dos membros traseiros só as coxas foram representadas. A cauda também se encontra incompleta, enquanto o focinho foi danificado em época posterior à execução da figura. O sexo é bem visível, e demonstra tratar-se de um macho, o que contradiz a teoria dos que pretendem ver nele uma égua grávida, dada a forma volumosa da barriga.
Enquadramento : As gravuras estão orientadas no sentido sudoeste-nordeste, contemplando a confluência da Ribeira de Albagueira com o Rio Douro. Situa-se num pequeno planalto inclinado na margem direita da ribeira de Albagueira, a 1800 m. do vale do Douro. O local classificado está implantado em formações xistosas e a morfologia do terreno na sua envolvente foi alterada devido à construção de barragens.
Descrição : A figura mais relevante deste conjunto é uma gravura com cerca de 62cm de comprimento e 37,5cm de altura, reproduzindo um cavalo e constitui uma gravura de grande beleza e uma das mais interessantes do ponto de vista científico no panorama da arte rupestre ao ar livre.
Acesso : Saindo da sede concelhia pela EN 221 para norte, cerca de 14 km depois apanha-se a estrada para Mazouco e daí o estradão que vai para a ribeira de Albagueira.
Cavalo de Mazouco (IIP) (Freixo de Espada-à-Cinta) (*)
Na foz de uma pequena ribeira que desagua no rio Douro num painel de xisto ao ar livre, encontramos esta figura pertencente ao Paleolítico Superior. Aqui o nível de água está artificializado e sobrelevado devido ao efeito da Barragem espanhola de Saucelhe.
Descoberto em 1981 por Nelson Rebanda, ainda estudante, veio a revelar-se a primeira peça de um vasto conjunto patrimonial que incluiria o vale do Côa cuja lancinante descoberta oficial ocorrerá 10 anos mais tarde e Siega Verde no vizinho rio Águeda, já em território espanhol.
Originalmente, compreendia ao todo quatro figuras, das quais uma se preservou muito bem- é este o célebre “Cavalo de Mazouco”. Com cerca de 62 cm de comprimento, obedece aos critérios de representação característicos de arte rupestre glaciar, com o pescoço curvo e pronunciado o focinho simplificado- danificado embora, as patas dianteiras ligeiramente afrontadas e um amplo ventre, de acordo com a anatomia dos equídeos que naqueles tempos, habitavam esta remota região. Devido à representação do ventre e do seu grande volume, alguns autores julgam tratar-se de uma água grávida; outros defendem que se tratará de um cavalo no Verão, após acumulação de gordura.
É um equídeo do tipo Przewalsky, espécie retractada em várias figuras do PAVC. Pequeno, ágil e indomesticável, com a sua crina espetada, ainda hoje cavalga livremente as remotas planícies desérticas da Mongólia.
Quando observo este cavalinho, tenho a sensação que ele se agita; o dinamismo é transmitida pela representação da crina bem erguida, a cauda levantada, a inclinação das patas traseiras e o pescoço está bem destacado do corpo.
A técnica de incisão da gravura foi a picotagem, verificando-se no entanto o seu sucessivo reavivamento por abrasão em datas superiores, inclusive recentemente. Até já se entrevêem pequenos grafitos criminosos. Peço contundentemente a quem de direito, que coloquem uma protecção gradeada e já agora um painel explicativo. A operação não sairia onerosa e este valioso património estaria melhor defendido dos vândalos.
Medita o viajante acerca dos tesouros que ainda poderão estar submersos naquele lençol de água artificial! Nesta margem o xisto, na outra, o granito, que dão azo a “geomorfologias” muito díspares, como mais tarde observará em grande escala do belíssimo miradouro do Colaço (Mazouco) (*).
Deitado confortavelmente em laje amornada; com o rio indulgente, de refulgência áureas apaziguadoras, muito perto a sussurra-me sonâncias calmas e com as aves de rapina a olharem desconfiadas para a carne que sou eu, quase que esvaeço. Não penso, envolto numa calmaria mitigadora das minhas fragilidades; é a solidão ditosa. Mesmo a levitar (não sei se dormitei) é tempo de lembrar que estou sozinho na fundura de vale inóspito e que é tempo de voltar ao mundo dos homens recentes.
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MAZOUCO – ao encontro da
natureza!!!!!!!!!!!!!!!!!!
2007 Todos os direitos reservados a Nelson Neto.